ENTREVISTA: Roberto Muniz

O senador Roberto Muniz esteve na edição anterior do Fórum Mundial da Água, em 2015, na Coreia do Sul, e agora participou do evento aqui, no Brasil, onde cumpriu uma agenda de encontros com autoridades e representantes do setor de saneamento. No dia 21.03, ele foi um dos convidados para a apresentação da campanha #SOMOSMAISSANEAMENTO no estande da CNI, e falou conosco.

 

Por que garantir o acesso à água é tão importante?

 

Roberto: Água de qualidade e saneamento básico são direitos humanos essenciais. A oferta de água de qualidade e da coleta e do tratamento do esgoto são capazes de efetivamente melhorar as condições de vida da população. São conquistas ligadas a outros avanços, como o aumento da expectativa de vida e a diminuição da mortalidade infantil. Ocorre que estamos longe de atender a esse direito. Sabemos que 70% das famílias com renda domiciliar de até meio salário mínimo têm déficit de abastecimento de água. E, segundo o instituto Trata Brasil, nos assentamentos precários, 54% das famílias usam fossas rudimentares e mais de 32% das famílias fazem com que seus esgotos sejam lançados diretamente nas ruas, nos rios ou no mangue. Esse é um verdadeiro apartheid social.

 

Como a campanha #SOMOSMAISSANEAMENTO pode contribuir para avançarmos nessa questão?

 

Roberto: A campanha reafirma o direito humano ao saneamento básico, e toca em temas importantes, como a cooperação entre o público e o privado. O setor privado é muito bem-vindo, de forma colaborativa e complementar. A gestão da água, independentemente de ser conduzida diretamente pelo setor público ou pela iniciativa privada, deve levar em conta questões como o reuso da água; as técnicas de dessalinização; o pagamento para quem ajuda a preservar o meio ambiente; a regulação e fiscalização do setor; a garantia de oferta para famílias de baixa renda; e o uso exclusivo, no sistema, de dinheiro arrecadado com sua exploração. Sem essa gestão, o Brasil vai continuar com um modelo falido, de “apartheid social”, que se caracteriza pela oferta de água e de serviço de saneamento básico apenas para as famílias com renda mais elevada.

 

Como o senhor avalia essa edição do Fórum Mundial da Água no Brasil?

 

Roberto: O Fórum foi um grande sucesso, superou as expectativas. Foi um momento em que pudemos olhar para o futuro. A discussão está agora no topo da agenda política, e este é um fato muito importante para o Brasil avançar, diante do enorme desafio que temos pela frente no saneamento.

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